Artigo de Tomar Na Rede: Flexibilidade à mesa, responsabilidade ambiental

Já parou para pensar no que vai comer hoje? E no impacto que essa escolha pode ter não apenas na sua saúde e bem-estar, mas também no ambiente?

A forma como produzimos e consumimos alimentos influencia tanto a nossa saúde como o ambiente[1]. Uma dieta rica em carnes vermelhas e produtos ultraprocessados está associada ao aumento de doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes[2]. Mas, para além da saúde, há também o impacto ambiental: a pecuária intensiva é responsável por uma grande parte das emissões globais de gases com efeito de estufa e pelo consumo de água e solo[3].

Para reduzir o impacto ambiental sem prescindir da carne, foi criada a iniciativa Meatless Monday[4] (segunda sem carne), um movimento internacional que convida as pessoas a abdicar da carne um dia por semana. A ideia subjacente a esta ação é que pequenas mudanças, repetidas regularmente, podem gerar grandes resultados. Se cada família aderisse o efeito na redução das emissões locais seria significativo, além de estimular uma alimentação mais variada e equilibrada.

O vegetarianismo, outrora visto como uma opção restritiva, tem ganho cada vez mais adeptos, havendo agora muitas alternativas vegetais e pratos vegetarianos muito saborosos. No entanto, nem todos querem adotar uma dieta totalmente vegetariana.

É aqui que entra o flexitarianismo, uma abordagem que privilegia alimentos de origem vegetal, mas sem excluir completamente a carne ou o peixe. Segundo o EAT-Lancet Report, a adoção generalizada de um regime alimentar flexitariano poderia reduzir até 50% as emissões globais do sistema alimentar e melhorar a saúde de milhões de pessoas[5]. Esta dieta é semelhante à mediterrânica[6], mas esta última permite o consumo moderado de peixe e lacticínios.

Educar as novas gerações para o flexitarianismo e para a dieta mediterrânica, e para compreender de onde vêm os alimentos, como são produzidos e o que significam para o ambiente é um investimento num futuro mais consciente e sustentável.

Os municípios podem desempenhar um papel na transição alimentar local, criando incentivos para a produção biológica, circuitos curtos de produção e promovendo campanhas de sensibilização junto da comunidade.

Tomar, através do Médio Tejo, está envolvido num projeto de alimentação saudável que pretende aumentar a literacia alimentar e a promover a dieta mediterrânica (LA&DMMT[7]).

Os municípios de Almada, Albufeira, Santa Maria da Feira, Estarreja e Peniche implementaram o Programa Prato Sustentável[8], que pretende tornar as refeições em refeitórios mais sustentáveis ao mesmo tempo que estimula um maior consumo de alimentos de origem vegetal.

No fim de contas, cada refeição é também uma decisão política e ambiental. E talvez o primeiro passo para um futuro mais sustentável comece no prato de cada tomarense.

 

Artigo de Joana Simões para Tomar Na Rede aqui.