Alimenta a Mudança

Um Dia Semanal de Refeições de Base Vegetal nas Universidades Portuguesas

O que propomos?

Imaginem um mundo onde as nossas escolhas diárias nos refeitórios académicos podem ter um impacto profundo na saúde do nosso planeta, na nossa própria saúde e na qualidade de vida das gerações futuras. Bem-vindos ao movimento 'Alimenta a Mudança'. Mais do que um slogan, é um apelo à ação apresentado por um grupo de estudantes, professores, figuras públicas e ativistas.

Assina a nossa carta aberta

Um Dia Semanal de Refeições de Base Vegetal nas Universidades Portuguesas

Alimenta a mudança!


Carta Aberta "Prato Sustentável: Um Dia Semanal de Refeições de Base Vegetal nas Universidades Portuguesas"

Caros/as Reitores/as de Universidades, Diretores/as de Empresas de Restauração Coletiva e Presidentes de Associações de Estudantes:

Escreve-vos um grupo composto por estudantes, professores/as, investigadores/as, figuras públicas e ativistas.

O nosso objetivo é promover uma mudança significativa na oferta alimentar nos refeitórios e bares académicos. Propomos a implementação de, pelo menos, um dia por semana em que todas as refeições servidas sejam exclusivamente de base vegetal.

As razões principais para este movimento são: 

  1. O combate à crise climática, uma vez que mais de 50% da pegada ecológica alimentar dos portugueses está associada ao consumo de carne e peixe [1], especialmente produzidos de forma intensiva.
  2. A melhoria dos hábitos alimentares dos jovens e adultos em Portugal, dados os benefícios cientificamente comprovados para a saúde de uma alimentação que privilegia a alimentação de base vegetal. [2, 3]
  3. Razões secundárias, nomeadamente de âmbito económico, uma vez que a refeição de base vegetal apresenta frequentemente um custo inferior à refeição convencional de carne ou peixe [4]. A inclusão, pois estas refeições podem ser consumidas por pessoas de todos os credos (hindus, cristãos, muçulmanos, entre outros).
  4. Menos sofrimento e morte de milhões de animais.

Os refeitórios académicos são também locais de ensino, não apenas “restaurantes”. A importância das ações de combate à crise climática nas universidades [5, 6, 7] e o facto de uma transição para uma alimentação de maior base vegetal (estritamente vegetariana) ser um importante contributo por parte de cada consumidor, para combater a crise climática [8, 9], justificam esforços adicionais para reduzir o consumo de produtos de origem animal no contexto do ensino superior. Acreditamos que as universidades e os refeitórios académicos são espaços propícios para tal. [10, 11]

A exigência feita pela Lei Portuguesa [12], de que haja uma refeição de base vegetal nos refeitórios das universidades, é insuficiente: há falhas no cumprimento da Lei, dúvidas sobre o seu alcance (nomeadamente sobre o que constitui um “refeitório universitário”), falta de fiscalização e, sobretudo, a qualidade nutricional, aspeto, diversidade e sabor das refeições são insatisfatórios devido à falta de formação dos funcionários. Por esta razão e outras (cultura, hábito, etc.) a probabilidade de serem escolhidas é baixa. [13, 14]

É, portanto, necessário criar um sistema que sirva refeições de base vegetal nutritivas, e também apelativas, para que estas sejam bem recebidas e gerem reações positivas — tanto através da formação dos cozinheiros e restantes colaboradores(as) dos refeitórios como da sensibilização dos utilizadores dos mesmos. Estes continuam a ter todos os outros dias da semana para consumir refeições com produtos de origem animal se o desejarem, e também o próprio dia se decidirem trazer a sua refeição (confecionada em casa, por exemplo), podendo ainda comer fora do campus. Estas duas últimas opções já são o recurso a que são obrigados a recorrer vários funcionários docentes, não docentes, alunos e investigadores que pretendem seguir uma alimentação em consonância com os princípios subjacentes a esta carta.

Reconhecemos que as reitorias não podem forçar mudanças nos refeitórios concessionados, contudo podem usar este requisito para concessões futuras; e/ou, dado o menor custo das refeições, e o respaldo das reitorias, as atuais concessões poderão iniciar já.

A urgência deste pedido é reconhecida por alguns municípios Portugueses, assim como dezenas de Universidades no estrangeiro. Em Portugal, os municípios de Sintra, Vila Nova de Gaia, Albufeira, Almada, entre outros, já implementaram 1 dia por semana onde apenas servem refeições escolares de base vegetal. No Canadá, já várias Universidades promovem uma alimentação de base vegetal, entre as quais a de Montreal (Quebeque), em que apenas 33% do menu é constituído por alimentos de origem animal. [15] Também dezenas de Universidades no Reino Unido se comprometeram a, nos próximos anos, servir apenas refeições de base vegetal todos os dias. [16] Mais exemplos de reforço da alimentação de base vegetal em universidades podem ser encontrados na Alemanha, Bélgica, Chéquia, Dinamarca, Suécia, etc.

Nas refeições de base vegetal, é recomendável privilegiar a utilização de produtos locais e sazonais, e de produção sustentável. No entanto, é importante salientar que fatores como o transporte e o cultivo em estufas contribuem menos de 10% para a pegada de carbono das refeições, vegetarianas e não-vegetarianas. [17, 18] Além disso, é igualmente aconselhável dar preferência à utilização de leguminosas, embora seja importante destacar que proteínas vegetais como tofu, seitan e soja texturizada possuem uma pegada de carbono e ecológica reduzida [19] e são igualmente saudáveis.

Assim, reiteramos este nosso pedido de implementação de, pelo menos, um dia por semana em que as refeições servidas sejam exclusivamente de base vegetal nos refeitórios e bares académicos em Portugal. Ao mesmo tempo que reiteramos a absoluta necessidade de adotar medidas eficazes para assegurar a diversidade e boa qualidade destas refeições. Esta medida  incentiva escolhas alimentares mais saudáveis, como também contribui para a redução do impacto nos limites planetários associado às nossas refeições. A presente carta aberta não tem finalidade política e visa ser um apelo às instituição de ensino superior.

Acreditamos que esta iniciativa beneficia a saúde dos estudantes e de toda a comunidade académica, de hoje e das próximas gerações, e do planeta que todos partilhamos. As Instituições de Ensino Superior têm uma missão de liderar a mudança. Juntem-se a nós nesta causa por uma alimentação mais consciente, saudável, ética e sustentável!

Reconhecemos que as reitorias não podem forçar mudanças nos refeitórios concessionados mas podem usar este requisito para concessões futuras; e/ou, dado o menor custo das refeições, e o respaldo das reitorias, as atuais concessões poderão aceitar já.

A urgência deste pedido já está a ser reconhecida por alguns municípios Portugueses, assim como dezenas de Universidades no estrangeiro. Em Portugal, os municípios de Sintra, Vila Nova de Gaia, Albufeira, Almada, entre outros, já implementaram 1 dia por semana onde apenas servem refeições escolares de base vegetal. No Canadá, já várias Universidades promovem uma alimentação de base vegetal, entre as quais a de Montreal (Quebeque), em que apenas 33% do menu é constituído por alimentos de origem animal. [15] Também dezenas de Universidades no Reino Unido se comprometeram a, nos próximos anos, servir apenas refeições de base vegetal todos os dias. [16] Mais exemplos de reforço da alimentação de base vegetal em universidades podem ser encontrados na Alemanha, Bélgica, Chéquia, Dinamarca, Suécia, etc.

Nas refeições de base vegetal, é recomendável privilegiar a utilização de produtos locais e sazonais, e de produção sustentável. No entanto, é importante salientar que fatores como o transporte e o cultivo em estufas contribuem menos de 10% para a pegada de carbono das refeições, vegetarianas e não-vegetarianas. [17, 18] Além disso, é igualmente aconselhável dar preferência à utilização de leguminosas, embora seja importante destacar que proteínas vegetais como tofu, seitan e soja texturizada possuem uma pegada de carbono e ecológica reduzida [19] e são igualmente saudáveis.

Assim, reiteramos este nosso pedido de implementação de, pelo menos, um dia por semana em que as refeições servidas sejam exclusivamente de base vegetal nos refeitórios e bares académicos em Portugal. Ao mesmo tempo que reiteramos a absoluta necessidade de adotar medidas eficazes para assegurar a boa qualidade destas refeições. Esta medida não apenas incentiva escolhas alimentares mais saudáveis, mas também contribui para a redução do impacto nos limites planetários associado às nossas refeições. 

Acreditamos que esta iniciativa beneficia a saúde dos estudantes e de toda a comunidade académica, de hoje e das próximas gerações, e do planeta que todos partilhamos. As Instituições de Ensino Superior têm aqui uma missão de liderar a mudança. Juntem-se a nós nesta causa por uma alimentação mais consciente, saudável, ética e sustentável!

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Referências bibliográficas / fontes

Créditos fotográficos

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Revisores (e pré-assinantes) de: